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Obesidade


Indicações

Tipos de Cirurgia

     A equipe entende que para cada paciente existe um tipo de procedimento, assim estaremos o tempo todo avaliando o perfil de cada paciente para saber qual o melhor tipo de cirurgia. Algumas restringem a entrada dos alimentos outras impedem grande parte da absorção dos alimentos, outras são mistas e fazem os dois efeitos citados. E todas resolvem ou controlam, na maioria das vezes as doenças associadas. Elas também são responsáveis pela diminuição da fome e 90% de cura ou melhora do diabetes tipo 2.
  • Banda gástrica - técnica da banda gástrica ajustável consiste na colocação de um pequeno anel ao redor da porção superior do estômago. Este anel, cinta, ou como é mais conhecida, banda gástrica, divide o estômago em dois compartimentos: um pequeno que fica acima da banda e irá armazenar pouca quantidade de alimento que, quando cheio, causa a sensação de saciedade; e um segundo compartimento maior, que é o resto do estômago normal abaixo da banda, e que continuará a participar do processo digestivo normal, recebendo e enviando o alimento para o duodeno.

  • Bypass Gástrico (Fobi-Capella) – bypass gástrico ou gastroplastia com derivação em "Y" de Roux ou, como é mais conhecida no Brasil, a Cirurgia de Capella, é o "procedimento de redução do estômago" mais utilizado nos Estados Unidos e no Brasil. Da mesma maneira que na banda gástrica, esta técnica possui um componente principal restritivo, diminuindo consideravelmente a quantidade de alimento necessária para proporcionar saciedade, e requerendo o mesmo padrão de comportamento alimentar (mastigar bem o alimento, comer lentamente, e ingerir pequenos bolos de cada vez). Por outro lado, pelo fato do alimento não passar pela maior parte do estômago e pelo duodeno, caindo direto no intestino delgado, o bypass gástrico traz alguns mecanismos adicionais que levam a um controle maior do apetite e a uma perda de peso mais rápida e mais intensa do que nos procedimentos puramente restritivos;

  • Scopinaro - Nas técnicas disabsortivas promove-se um encurtamento do intestino delgado, reduzindo o tempo de contato dos nutrientes com as células intestinais dificultando sua absorção, a Derivação Bilio-Pancreática de Scopinaro é a principal representante deste grupo. Nessa cirurgia é realizado um grande desvio no intestino conjuntamente com a retirada de uma parte do estômago. Esse desvio faz com que o alimento percorra a maior parte do intestino sem entrar em contato com as enzimas digestivas e, portanto sem absorver boa parte dos acúcares e gordura ingeridos. Após esse desvio o alimento se encontra com as enzimas digestivas no final do intestino delgado tendo apenas 50 cm de intestino com capacidade de absorção.

  • Gastroplastia vertical com banda Mason - É uma cirurgia restritiva, ou seja, o volume que o paciente ingere na refeição vai depender da consistência do alimento, quanto mais sólido, menor a quantidade. É realizado um grampeamento na entrada do estômago, com a formação de uma antecâmara que limita a ingesta alimentar. A saída é reforçada por uma banda sintética, que dificulta a passagem de comida. Promove menor perda de peso que as outras técnicas, mas é um procedimento mais simples, cujos resultados dependem mais da colaboração e disciplina do paciente, devendo ser utilizada apenas em casos muito especiais e selecionados. Também é chamada de gastroplastia vertical com bandagem. Atualmente é bem menos usada e tende a ser substituída por uma outra com melhores resultados a Sleeve gastrectomia (gastrectomia em manga) o que nós usamos em casos especiais.

  • Balão Intragástrico - O Balão intragástrico é um tratamento da obesidade que utiliza uma prótese de silicone na forma de um balão, que é colocado por endoscopia em regime ambulatorial (sem internação). O balão é colocado vazio no estômago e insuflado com soro fisiológico e corante. O tratamento e temporário e o balão deve ser retirado ou trocado em um prazo de 6 meses. O Balão provoca uma sensação de saciedade com a ingestão de pequenas quantidades de alimentos e diminui assim a fome.

  • Pré-operatório - Como já vimos, todo o esforço é feito para que a operação seja um grande sucesso. Este é o objetivo da equipe médica e do paciente. Para tal temos que ter informações precisas sobre o estado de saúde do paciente antes da operação. Por isso muitos exames são realizados e só depois dos resultados conhecidos e da correção de qualquer anormalidade encontrada é que podemos decidir sobre a cirurgia bariatrica. Os exames normalmente solicitados estão listados abaixo com uma pequena explicação do porque da sua realização.

  • Pós-operatório - Após a cirurgia, tendo alta hospitalar, o paciente devera obedecer rigorosamente às instruções médicas e nutricionais quanto a sua alimentação e manter um acompanhamento a longo prazo. Devido a grande importância da manutenção do tratamento, já que a obesidade é uma doença crônica, foi desenvolvido pelo C.O.M. um programa de Workshop nutricional com o objetivo de controlar as necessidades nutricionais pós-operatórias e com a finalidade de reeducar o paciente definitivamente quanto à sua alimentação. O acompanhamento nutricional, clínico, psicológico e cirúrgico é que vai garantir os melhores resultados finais, principalmente quando assumido pelo próprio paciente, que deve conhecer muito bem o seu processo nutricional para fazer as escolhas dos nutrientes com qualidade e quantidade adequadas diariamente. É importante lembrar que este acompanhamento e tratamento de alterações nutricionais e clínicas que podem surgir e evita que o paciente fique doente e até tenha risco no pós-operatório.

  • Complicações- Como já dissemos, a cirurgia para cura da obesidade grave (cirurgia bariatrica) não é um milagre e sim uma troca que na grande maioria das vezes é altamente vantajosa. No entanto, como em toda cirurgia, podem ocorrer complicações. Período pré-operatório as complicações mais freqüentes são crises de ansiedade, flutuações do humor ou alergia aos medicamentos pré-anestésicos. No procedimento anestésico é possível que não se consiga entubar o paciente (para ventilar durante a cirurgia) ou que na entubação haja entrada de líquido do estômago para os pulmões, causando uma pneumonia de aspiração grave. Durante a cirurgia podem ocorrer sangramentos, lesões a diversos órgãos ou estruturas, hipotensão, hipertensão, arritmias cardíacas, parada cardíaca, morte. No pós-operatório imediato a dor abdominal é a queixa mais freqüente, e por ser a dor uma sensação muito individual, apresenta graus variados de intensidade e formas de evolução, geralmente sendo mais intensa nas primeiras 48 horas após a cirurgia. Náuseas, vômitos, dores nas costas, tonturas, retenção urinária, fezes líquidas também podem ocorrer. O grampeamento do estômago e das costuras intestinais podem se abrir e resultar em infecções ou vazamentos, sendo necessária uma reintervenção de urgência. Coágulos nas pernas ou na pelve podem suceder a cirurgia, podendo se desprender e se encaminhar para os pulmões, causando uma sensação de falta de ar e dor no peito (embolia pulmonar). Existe a possibilidade de necessitar de cuidados intensivos em UTI no pós-operatório, e algumas vezes a reoperação é necessária devido a sangramentos, hérnias, úlceras, abertura dos grampos cirúrgicos, fístulas, obstrução do intestino ou do estômago, infecções, abscessos. Pneumonias também podem ocorrer. Anormalidades na ferida operatória podem ocorrer em 2 a 10% dos casos, podendo ser tratadas facilmente sem dano permanente. Seroma: líquido amarelado ou rosado, acumulado na gordura sob a pele, nem sempre significa infecção e ocorre em até 20% dos casos.

Cirurgia Bariátrica